Pensamento · Estudos e aulas
Antes de desenhar, eu leio a casa.E quem mora nela.
Estudo o que a tradição da arquitetura, da filosofia e da literatura ensina sobre o lar: por que algumas casas formam quem mora nelas e outras apenas abrigam.
Desse estudo nasce cada projeto que desenho.
Manifesto
Não projeto imóveis. Projeto lares.
Lugares que formam quem mora neles e que atravessam gerações.
I
Ninguém sai de uma casa igual a como entrou nela.
Passamos a vida entre paredes, e elas nos ensinam o tempo todo, sem dizer uma palavra. Ensinam onde a família se encontra e onde cada um se recolhe, se a mesa é lugar de conversa ou de passagem, se a sala recebe ou apenas exibe. Repetidos, esses gestos viram hábitos, e os hábitos viram caráter. É o que chamo de causa dispositiva: o lugar onde vivemos nos dispõe a ser de um certo modo.
II
A casa que forma bem não é a que mais impressiona.
É a que se deixa entender, em que cada lugar diz para que serve e ninguém precisa adivinhar o caminho. É a que foi feita para durar, nas proporções e nos materiais, sem depender do gosto de uma época. É a que pertence ao lugar onde está, à sua luz, ao seu clima, à sua paisagem e à sua gente. E é a que acumula sentido, onde a mesa, a porta e o canto da memória significam alguma coisa para quem vive ali.
III
A casa deixa de ser cenário e passa a ser lar.
Quando essas quatro coisas se encontram, ela guarda a dignidade de quem mora nela e a passa adiante. Projetar, então, é uma responsabilidade maior do que parece: não se trata de decorar um espaço, mas de decidir, em parte, quem serão as pessoas que vão crescer ali.
IV
É esse olhar que levo para cada projeto.
Antes de desenhar qualquer coisa, eu escuto como você vive.
Agende sua conversa →Em escolas, paróquias e encontros, falo sobre o que a casa ensina e sobre como encontrar a verdade do lar.
Quer esse olhar na sua casa?